A rede de bicicletas partilhadas Gira, em Lisboa, está a atravessar um dos períodos mais problemáticos desde que entrou em funcionamento. Desde o início do ano, mais de 700 ocorrências de vandalismo provocaram danos em mais de 1.400 docas e levaram ao furto de cerca de mil bicicletas, segundo dados divulgados esta quinta-feira, dia 13, pela Câmara Municipal de Lisboa.

A autarquia explica que a EMEL, responsável pela gestão do sistema, tem registado uma “vaga de criminalidade mais agressiva”, marcada pela “destruição de docas e equipamento” e também pelo “furto de bicicletas”.

“Esta nova vaga de crimes contra a rede Gira ocorre de forma violenta, gratuita e inesperada, através da destruição de tampas, cablagens e sensores eletrónicos, e tem tido um efeito devastador na disponibilidade do serviço”, afirmou o executivo municipal.

Apesar de cerca de mil bicicletas terem sido retiradas à força das respetivas docas, a Câmara garante que “a grande maioria” acaba por ser recuperada no próprio dia graças aos sistemas de GPS instalados nos veículos.

“Tudo isto causa, naturalmente, graves prejuízos e constrangimentos aos utilizadores da rede Gira”, sublinhou a autarquia.

Os custos acumulados são elevados. Entre 2017 e 2025 foram feitas mais de 12 mil reparações relacionadas com vandalismo, num prejuízo que “ultrapassa os três milhões de euros”. Só desde o final de 2025, altura em que começou o atual período de maior destruição, os danos já representam “cerca de 400 mil euros”.

O vice-presidente da Câmara de Lisboa e responsável pelo pelouro da Mobilidade, Gonçalo Reis, reconheceu que a situação prejudica diretamente quem utiliza o serviço diariamente.

“Vamos continuar a investir na rede e vamos aumentar a fiscalização para garantir que quem utiliza o sistema de bicicletas Gira continua a contar com uma boa oferta de bicicletas partilhadas na cidade”, garantiu.

Também o vereador do PCP João Ferreira voltou a pedir esclarecimentos ao presidente da autarquia, Carlos Moedas, sobre os problemas que têm afetado a rede, entre estações e docas danificadas, bicicletas avariadas e falhas na aplicação e no atendimento.

“São várias – e justificadas – as referências ao colapso do sistema por parte de muitos utilizadores”, afirmou o vereador, acrescentando que “esta situação, não sendo inteiramente nova, resulta do agravamento de problemas preexistentes”.