Os resultados mais recentes da MEO estão longe de entusiasmar o mercado e reforçam a perceção de que a operadora liderada por Ana Figueiredo (na foto) atravessa um período de forte pressão competitiva e crescimento limitado. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registou receitas de 703 milhões de euros, um aumento homólogo de apenas 0,9%, enquanto o EBITDA recuou 7,3 por cento, fixando-se nos 226 milhões de euros. O investimento cresceu 5,5%, para 106 milhões.
Os números surgem numa conjuntura marcada pela entrada agressiva da Digi no mercado português, pela erosão da receita média por cliente e pelo aumento dos custos operacionais, fatores que a própria MEO reconhece como penalizadores das contas.
Mesmo excluindo o impacto da Altice Labs e a perda progressiva do negócio de subcontratação móvel associado à antiga Nowo, o EBITDA teria ainda assim registado uma quebra de 4,3%.
A leitura dos dados evidencia igualmente uma transformação estrutural do grupo. Se em 2023 a então Altice Portugal apresentava receitas de 699 milhões de euros e um EBITDA de 245 milhões, três anos depois, sob o comando de Ana Figueiredo, a evolução é praticamente nula ao nível da faturação e claramente negativa na rentabilidade operacional.
Parte da resistência das receitas tem sido assegurada por áreas fora do núcleo tradicional das telecomunicações, sobretudo a energia. O negócio MEO Energia, apesar de ser residual se comparado com outros operadores do setor, cresceu 41,8% e já soma 236 mil clientes, o que permitiu, na opinião de um especialista ouvido pelo 24Horas “mascarar os resultados”. E adiantou: “Não fossem esses números da área de energia, e os resultados tinham ficado entre 15 e 18 por cento abaixo...”
Outro dos pontos sensíveis continua a ser a Altice Labs, em Aveiro, repetidamente apontada como fator negativo nos resultados e longe do protagonismo tecnológico que chegou a representar.
Os resultados agora conhecidos reacendem também o debate sobre a evolução da empresa desde a Operação Picoas, num momento em que persistem dúvidas sobre a capacidade da dona da MEO para recuperar dinamismo num setor cada vez mais disputado e onde o aumento tarifário dos últimos anos já não é suficiente para sustentar crescimento.
















