Portugal vai integrar um ensaio clínico internacional de uma nova injeção contra o cancro da cabeça e do pescoço, que apresentou resultados iniciais descritos como “sem precedentes” e que agora avança para uma fase mais alargada de investigação.

O estudo, que decorre em vários países, encontra-se na terceira fase de desenvolvimento e, segundo o Jornal de Notícias, irá envolver cinco unidades hospitalares nacionais: o IPO do Porto, o Hospital de Santa Maria, o Hospital de Gaia-Espinho, a CUF Descobertas e o Hospital de Portimão.

Em território nacional, está prevista numa fase inicial a participação de cerca de 15 doentes, num universo global que poderá chegar aos 500 ao longo dos próximos anos. O recrutamento destina-se a pessoas com cancro da cabeça e do pescoço em fase avançada e que ainda não tenham sido submetidas a determinados tratamentos específicos.

A terapêutica, administrada por via injetável, resulta de dados preliminares apresentados num congresso internacional de oncologia, onde foram registadas taxas relevantes de redução tumoral em alguns doentes. Em casos pontuais, observou-se mesmo a eliminação completa das lesões.

O investigador responsável pelo ensaio em Portugal, Diogo Alpuim Costa, adiantou que a inclusão do primeiro doente deverá ocorrer nas próximas semanas, sublinhando a relevância da participação nacional em estudos clínicos desta natureza, que podem acelerar o acesso a terapias inovadoras.

O medicamento em causa, o amivantamab, está também a ser estudado noutras áreas da oncologia e em diferentes combinações terapêuticas, sendo apontado como uma das abordagens promissoras no campo da medicina de precisão.

Apesar dos resultados preliminares encorajadores, os especialistas alertam que se trata ainda de uma fase experimental, sendo necessário avaliar a eficácia e segurança a longo prazo antes de uma eventual aplicação generalizada.