José Luís Carneiro, de 54 anos, acusa o Governo de estar envolvido num "baile de máscaras" com o presidente do Chega, André Ventura, em torno do pacote laboral, considerando que o Executivo está marcado pela "desumanidade" e pela "insensibilidade".
Em declarações aos jornalistas, durante uma visita aos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo, esta segunda-feira, dia 15, o líder socialista afirmou que "o Governo está tomado pela desumanidade, está tomado pela insensibilidade" e "não tem pejo em estar neste baile de máscaras com o Chega".
Questionado sobre um eventual entendimento entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e André Ventura para viabilizar o pacote laboral, respondeu apenas: "O Diabo veste Prada."
Na sua perspetiva, o chefe do Governo "prefere andar entretido num autêntico baile com o líder da extrema-direita, com o fito de embaratecer os despedimentos, liberalizar os despedimentos e aumentar a precariedade", acusa Carneiro, prejudicando “as condições de vida dos mais jovens, das mulheres e das famílias”.
Em contraponto, José Luís Carneiro defendeu que o PS encara a economia portuguesa como uma economia que "tem de ser mais produtiva, mais competitiva, capaz de pagar mais e melhores salários" e, simultaneamente, preparada para enfrentar "os desafios da Inteligência Artificial e da transição digital" através de um plano de formação, reconversão e aprendizagem ao longo da vida.
O secretário-geral do PS apontou ainda a economia do mar como um dos principais motores para aumentar a produtividade e o crescimento económico, destacando Viana do Castelo como um exemplo desse potencial.
"A economia do mar é um dos vetores que mais pode contribuir para a produtividade e o crescimento económico e para a melhoria das remunerações salariais do nosso país", afirmou, sublinhando que o concelho emprega, "direta e indiretamente" mais de mil pessoas" neste setor.
Segundo explicou Carneiro, essa atividade vai "desde a produção e recuperação de manutenção naval" até à "produção de energia offshore com um modelo de inovação que hoje é um exemplo para toda a Europa".
José Luís Carneiro defendeu que a aposta nos fatores de produtividade, nomeadamente na economia do mar e em setores em revitalização devido ao contexto internacional, constitui o caminho para criar uma alternativa às políticas do Governo.
Como exemplo, o socialista referiu que estão a ser construídos seis novos navios de duplo uso, civil e militar, nos estaleiros de Viana do Castelo, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, considerando que este tipo de investimento permitirá responder às expectativas das gerações mais jovens e qualificadas.
Carneiro anunciou ainda que irá apresentar amanhã, terça-feira, uma "matriz para a produtividade, a competitividade, para melhores salários e, particularmente, para preparar aquilo que vai ser o impacto futuro da inteligência artificial e da transição digital".
O secretário-geral do PS alertou também que muitas profissões, incluindo áreas como o jornalismo, os assistentes técnicos e os assistentes administrativos, poderão ser substituídas pela Inteligência Artificial, defendendo por isso a criação de um plano de formação e reconversão profissional: "É disso que nós estamos a falar quando falamos das questões essenciais. Mas nada disto tem ocupado o tempo do Governo."
Na mesma intervenção, acusou o Executivo de estar excessivamente focado em temas ideológicos, referindo as bandeiras LGBT, a nacionalidade e a imigração. "A ideologia não serve à mesa."

















