Miguel Pinto Luz não esconde a admiração por Pedro Passos Coelho, reconhece dificuldades na afirmação política do Governo e admite a necessidade de transmitir aos portugueses uma imagem diferente da ação do Executivo. Numa entrevista ao semanário Expresso, com honras de manchete, o ministro das Infraestruturas recusa dramatizar o terceiro lugar do PSD nas sondagens, mas deixa sinais de autocrítica.

Sobre as recentes declarações de Passos Coelho, Pinto Luz é inequívoco: o antigo primeiro-ministro tem uma opinião que deve ser ouvida, mas não pode exigir-se a Luís Montenegro que siga um caminho que não é o seu. O ministro diz ter orgulho em ter integrado ambos os governos e considera que Montenegro tem um enorme compromisso com o país.

A defesa de Passos Coelho é, contudo, acompanhada de uma mensagem política: o PSD deve saber ouvir diferentes sensibilidades, sem transformar as divergências numa disputa interna.

Quanto às sondagens, que colocam o PSD atrás do Chega, Pinto Luz procura relativizar os resultados. Recorda que também foi terceiro nas sondagens quando se candidatou à liderança do partido, acabando por ser um dos três mais votados, insistindo que a prioridade deve ser governar, não orientar a ação política pelos estudos de opinião.

Mas é na avaliação do desempenho governativo que surgem os sinais mais evidentes de autocrítica. Pinto Luz reconhece que o executivo precisa de apresentar resultados e de os tornar mais percetíveis aos portugueses, e defende que o Governo tem de reforçar a sua capacidade de concretização, contrariando a ideia de que as reformas não chegam à vida das pessoas.

Embora rejeite a existência de uma falha estrutural na ação governativa, Pinto Luz admite que a perceção pública é determinante e que o executivo tem de conseguir fazer chegar aos cidadãos os efeitos das decisões tomadas, reconhecendo ainda que há reformas que precisam de tempo e que algumas podem produzir impactos negativos antes de apresentarem resultados positivos.