A candidatura de Sebastião Bugalho a vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE) veio complicar os planos de Manfred Weber, que pretendia reconduzir os dez atuais vice-presidentes na renovação da direção a meio da legislatura, segundo o Rapporteur, um prestigiado portal de informação que segue a par e passos os bastidores da política europeia.


Apoiado por Luís Montenegro, o eurodeputado português pretende substituir Lídia Pereira, alegando estar a cumprir um entendimento interno estabelecido no início do mandato. Contudo, essa substituição enfrenta um obstáculo: as regras exigem pelo menos quatro mulheres nas dez vice-presidências, e a eleição de Bugalho obrigaria, portanto, à saída de outro dirigente masculino.


Segundo fontes conhecedoras da realidade que se vive no seio da PPE, a situação criada pela inesperada candidatura daquele que é hoje o porta-voz da direção nacional do PSD, favorece assim uma eventual candidatura da húngara Eszter Lakos, cuja delegação, do partido Tisza, reivindica representação na liderança.
Entre os atuais vice-presidentes potencialmente vulneráveis encontram-se François-Xavier Bellamy, Tomas Tobé, Massimiliano Salini e Andrzej Halicki. Jeroen Lenaers e Siegfried Mureşan, esses, surgem relativamente mais protegidos.


Weber, que dirige a bancada desde 2014, terá de conciliar ambições nacionais, equilíbrios políticos e representação feminina. A disputa acompanha uma reunião dos 184 eurodeputados do grupo em Taormina, dedicada à estratégia para enfrentar a extrema-direita nas europeias de 2029.
Bugalho tem feito questão de apresentar a candidatura como um contributo para combater o populismo, sendo que a votação demonstrará se esse objetivo consegue reunir apoios suficientes numa direção onde escasseiam lugares, e onde Manfred Weber dificilmente esconde esta tentativa do PSD em ‘impor’, contra a sua vontade, um candidato que pode colocar em causa um equilíbrio que se tem dado provas.