As críticas de Pedro Passos Coelho ao Governo estão a provocar respostas dentro do próprio PSD e a tornar visíveis diferentes leituras sobre o ritmo das reformas. Desta vez, foi Carlos Moedas a sair em defesa de Luís Montenegro, considerando “injusto” o antigo primeiro-ministro dizer que o tempo do Executivo para transformar o País “está a esgotar-se”.

Em entrevista à Antena 1, o presidente da Câmara de Lisboa respondeu diretamente a Passos: “Para Passos Coelho, é mais fácil falar do que fazer.” Moedas argumenta que Montenegro está a concretizar as reformas “possíveis dentro do quadro que existe”, lembrando que a AD governa sem maioria absoluta. “Agora são 91 deputados da AD. É muito difícil governar.” A coligação precisa, por isso, de entendimentos parlamentares para aprovar legislação decisiva.

A resposta surge depois de Passos Coelho ter aumentado a pressão sobre Montenegro. O antigo líder do PSD escreveu que os três anos que restam da legislatura não devem ser desperdiçados e defendeu reformas em áreas como Segurança Social, produtividade, saúde, educação, habitação e Estado. Alertou ainda que o tempo disponível “está a esgotar-se” devido à fragilidade do apoio parlamentar.

Moedas faz, porém, uma comparação com os anos da troika, recordando que Passos governou apoiado por uma maioria parlamentar. E deixa uma defesa inequívoca do atual líder: “Passos Coelho foi o homem certo no momento certo, daquele tempo, e Luís Montenegro é o homem certo deste momento.”