A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou esta quarta-feira, dia 7, as primeiras orientações globais destinadas ao tratamento da obesidade em crianças e adolescentes, defendendo uma abordagem que privilegie alterações no estilo de vida e o acompanhamento médico.

Entre as principais recomendações está a indicação para que crianças com menos de 10 anos com obesidade não sejam submetidas a tratamentos com medicamentos para perda de peso nem a cirurgia. Para este grupo etário, a OMS considera que devem ser privilegiadas outras estratégias de intervenção.

As novas orientações abrangem os menores de 19 anos e surgem depois de, em dezembro de 2025, a organização ter recomendado a utilização de medicamentos da família dos GLP-1 no tratamento da obesidade em adultos.

Os medicamentos GLP-1, conhecidos através de marcas como Ozempic, Wegovy ou Mounjaro, foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento da diabetes. Atualmente, são também utilizados no combate à obesidade, uma vez que reproduzem a ação de uma hormona que estimula a produção de insulina e aumenta a sensação de saciedade.

Para os adolescentes entre os 10 e os 19 anos, a OMS admite a utilização de medicamentos autorizados, mas apenas em determinadas circunstâncias. Segundo a organização, esta opção deve ser considerada quando um programa supervisionado, que combine diferentes intervenções relacionadas com a alimentação, exercício físico e outros hábitos de vida, não tenha produzido os resultados esperados.

A cirurgia bariátrica também não está excluída para esta faixa etária, mas a OMS estabelece critérios rigorosos para a sua realização. A intervenção poderá ser considerada em adolescentes com obesidade grave, sobretudo quando existem problemas de saúde associados.

Maria Nieves Garcia Casal, do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, explicou que a cirurgia pode ser ponderada em casos de obesidade grave acompanhada por complicações como diabetes tipo 2 ou hipertensão, desde que o adolescente tenha concluído o desenvolvimento físico e mental.

A especialista acrescentou que é necessário que outras abordagens, incluindo exercício físico, alterações na alimentação e mudanças no estilo de vida, tenham falhado durante pelo menos seis meses.

Obesidade afeta milhões de menores

Os dados mais recentes da OMS mostram a dimensão crescente do problema. Em 2024, cerca de 70 milhões de crianças entre os 5 e os 9 anos e 100 milhões de adolescentes dos 10 aos 19 anos viviam com obesidade em todo o mundo.

Entre os 5 e os 19 anos, a prevalência da obesidade quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8% em 2024.

Luz Maria De Regil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, alertou que a obesidade continua a aumentar em todas as regiões do mundo. Ainda assim, segundo a responsável, alguns países de rendimento elevado têm conseguido travar parcialmente essa tendência.