A greve no Metropolitano de Lisboa está a transformar as deslocações de milhares de pessoas numa verdadeira aventura. Sem nenhuma das quatro linhas a funcionar, os passageiros amontoam-se nas paragens de autocarros, o trânsito intensificou-se nos acessos à capital e até os transportes alternativos ficaram mais caros. A greve prolonga-se por todo o dia. A normalidade só há de regressar na manhã de quinta-feira.

Lisboa acordou esta quarta-feira, 14 de outubro, sem Metro e com milhares de pessoas à procura de uma maneira de chegar ao destino. O resultado foi uma manhã de filas intermináveis, autocarros a abarrotar de passageiros, trânsito congestionado e viagens que, em muitos casos, se transformaram numa corrida contra o relógio.

O cenário repetiu-se em vários pontos da capital e da periferia. Do Campo Grande ao Cais do Sodré, de Odivelas à Pontinha, passando pela Avenida da República – as paragens encheram-se de passageiros à espera de um lugar nos autocarros. Nem sempre tiveram sorte. Muitos veículos circulavam já tão cheios que não conseguiam receber mais pessoas, obrigando quem esperava a prolongar ainda mais a viagem.

Também nas estradas se fizeram sentir as consequências da paralisação. A Avenida Marginal, uma das principais entradas de Lisboa, foi uma das vias afetadas pelo aumento do trânsito. Para escapar às demoras, houve passageiros que optaram por percorrer vários quilómetros a pé. Outros recorreram às plataformas de TVDE, confrontando-se com preços mais elevados do que os habituais.

A origem desta manhã atribulada está numa greve de 24 horas das chefias da Direção de Operações do Metropolitano, convocada por seis estruturas sindicais. A paralisação começou às cinco da manhã e deixou encerradas todas as estações. Não foram estabelecidos serviços mínimos de circulação, pelo que a rede deverá permanecer sem comboios até ao final do dia. A reabertura está prevista para as 6h30 de quinta-feira.

O protesto tem por trás um conflito laboral que se arrasta há vários meses. Em abril, a administração e os representantes dos trabalhadores chegaram a um entendimento que permitiu cancelar uma greve então anunciada. O acordo estabelecia compromissos relativos à contratação de pessoal, à formação de novos profissionais, à organização dos horários e às condições de trabalho das chefias operacionais.

Seis meses depois, o entendimento está longe de ter encerrado o conflito. Os sindicatos acusam a administração de não concretizar parte dos compromissos assumidos, mantendo-se a escassez de trabalhadores, as dificuldades no recrutamento e a dependência de horas extraordinárias para assegurar o funcionamento do serviço. Contestam também o prolongamento dos turnos e as limitações impostas ao exercício das funções de algumas chefias.

A administração apresenta uma versão diferente. Sustenta que está a cumprir o acordo, nomeadamente através dos processos de contratação e formação, e considera injustificada uma paralisação com consequências tão vastas para os passageiros. A empresa sublinha que o conflito envolve reivindicações de cerca de uma centena de funcionários, num universo de aproximadamente 1600 trabalhadores, mas acaba por afetar uma rede que transporta habitualmente cerca de 600 mil pessoas por dia.

E, enquanto sindicatos e administração mantêm posições divergentes, os passageiros enfrentam as consequências de um dia sem um dos principais meios de transporte da capital. Para quem depende do Metro para ir trabalhar, estudar ou simplesmente atravessar a cidade, a quarta-feira promete continuar a ser complicada.