Uma nova sondagem da Gallup traça um retrato complexo da sociedade norte-americana, contrariando a ideia de que os Estados Unidos caminham de forma linear para posições mais progressistas ou mais conservadoras. O estudo avaliou a perceção dos cidadãos sobre a aceitabilidade moral de 20 comportamentos e tendências sociais.

Os resultados mostram uma clara abertura em matérias relacionadas com a vida privada. O controlo da natalidade surge como o comportamento mais amplamente aceite, reunindo 83% de aprovação. Seguem-se o divórcio (74%), as relações sexuais entre homens e mulheres não casados (65%) e as relações entre pessoas do mesmo sexo (62%).

No entanto, quando estão em causa temas ligados à família, à ética ou à organização social, os americanos revelam posições significativamente mais conservadoras. A traição conjugal é rejeitada por 89% dos inquiridos, enquanto a clonagem humana é considerada moralmente errada por 86%. A poligamia recolhe 77% de desaprovação e o suicídio é rejeitado por 70% dos entrevistados.

Um dos dados mais relevantes do estudo diz respeito à mudança de género. Apenas 38% dos americanos consideram essa opção moralmente aceitável, enquanto 57% a classificam como moralmente errada, evidenciando uma sociedade longe do consenso nesta matéria.

A sondagem mostra ainda uma divisão significativa em temas como o aborto, a pena de morte, o suicídio assistido por médico, a pornografia ou os jogos de azar, refletindo as profundas clivagens culturais existentes no país.

Para especialistas em política, comunicação e opinião pública, a principal conclusão é que os eleitores não cabem facilmente em categorias ideológicas rígidas. A mesma pessoa pode defender posições liberais em questões de liberdade individual e, simultaneamente, adotar uma visão conservadora sobre família, moralidade ou comportamento social.