A expressão começou por soar a provocação. Hoje, transformou-se num dos maiores movimentos de contestação social da Índia dos últimos anos. A chamada ‘revolta das baratas’, protagonizada sobretudo por estudantes e jovens desempregados, já fez a primeira vítima política de peso: o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, apresentou a demissão após semanas de manifestações desencadeadas pelo escândalo do alegado vazamento dos exames nacionais de acesso aos cursos de Medicina.
O caso afetou cerca de 2 milhões de candidatos que disputavam apenas 130 mil vagas e alimentou um sentimento de revolta entre uma geração que denuncia falta de oportunidades, desemprego crescente e um sistema de ensino incapaz de garantir igualdade de acesso. A contestação ganhou uma dimensão ainda mais dramática após relatos de suicídios de estudantes relacionados com a polémica.
O movimento "Barata" nasceu de forma quase espontânea, após declarações atribuídas ao presidente do Supremo Tribunal que comparavam jovens desempregados a "baratas". A expressão foi rapidamente apropriada pelos estudantes, que a transformaram num símbolo de resistência. O que começou como um fenómeno viral nas redes sociais evoluiu para manifestações de rua que passaram a questionar não apenas o sistema educativo, mas também a capacidade do Governo de Narendra Modi para responder às aspirações de uma população cada vez mais jovem e qualificada.
A demissão de Pradhan constitui um raro recuo político de Modi, conhecido por resistir à pressão popular. Trata-se da primeira renúncia forçada de um ministro em mais de uma década dos seus governos e evidencia a crescente dificuldade em gerir as expectativas de um país onde quase metade dos 1,5 mil milhões de habitantes tem menos de 30 anos. Apesar do crescimento económico superior a 6% ao ano, o desemprego entre os jovens continua elevado, tornando a 'revolta das baratas' num poderoso símbolo do descontentamento de uma geração que exige oportunidades e futuro.

















