O Grupo Barrière quer transformar o Casino da Póvoa de Varzim num destino de lazer muito para além das mesas de jogo. Em entrevista ao ECO, os responsáveis pela nova concessionária assumem que o objetivo passa por reforçar a componente de entretenimento, cultura, restauração e eventos, seguindo uma estratégia que privilegia a experiência global do visitante e procura atrair públicos mais diversificados.

A filosofia aproxima-se do modelo que, durante décadas, marcou o Casino Estoril sob a liderança de Mário Assis Ferreira. Nesse período, o jogo deixou de ser o único elemento diferenciador, dando lugar a uma programação regular de concertos, espetáculos, exposições, festivais gastronómicos e eventos culturais que consolidaram o Estoril como uma referência nacional do entretenimento.

É precisamente essa lógica que o grupo francês pretende replicar na Póvoa de Varzim. A empresa fala na criação de um espaço “mais aberto e atrativo” para residentes e turistas, onde a restauração, a animação permanente e a sala de espetáculos assumem um papel tão relevante quanto a atividade do casino. O objetivo passa por transformar o equipamento num verdadeiro polo de 'lifestyle', capaz de gerar novas razões de visita ao longo de todo o ano.

A aposta representa uma mudança de paradigma na gestão do emblemático casino nortenho. Em vez de depender quase exclusivamente das receitas do jogo, a nova administração pretende diversificar a oferta e aumentar o tempo de permanência dos visitantes, seguindo uma tendência já consolidada nos principais operadores internacionais de casino-resort.

Se a estratégia produzir os resultados esperados, o Casino da Póvoa poderá reencontrar um protagonismo semelhante ao alcançado pelo Casino Estoril, cuja afirmação no passado como espaço de cultura, espetáculo e lazer ficou indelevelmente associada à gestão e visão empresarial de Mário Assis Ferreira - e que hoje atravessa notórias dificuldades de afirmação.