O cantor e compositor Silvio Rodríguez, de 79 anos, considerado o mais importante representante vivo da chamada Nueva Trova cubana, reconheceu publicamente o fracasso económico do modelo implantado pela Revolução Cubana, numa entrevista recente que está a gerar forte repercussão dentro e fora da ilha.

Figura historicamente associada ao regime fundado por Fidel Castro, Rodríguez admitiu não compreender como passaram décadas sem que fossem adotadas medidas eficazes para enfrentar a degradação económica e social do país. O músico recordou mesmo uma antiga afirmação de Fidel Castro, segundo a qual o modelo cubano já não servia os interesses da própria revolução.

As declarações surgem num momento particularmente delicado para Cuba, que enfrenta uma das mais graves crises da sua história recente, marcada por escassez de alimentos, medicamentos, falhas constantes no fornecimento de eletricidade e um êxodo migratório sem precedentes.

Rodríguez considerou ainda “normal” que parte da população cubana veja com simpatia uma eventual intervenção dos Estados Unidos, justificando essa posição pelo agravamento das dificuldades vividas diariamente pelos cidadãos. Apesar das críticas ao desempenho económico do regime, o cantor manteve a defesa do sistema político de partido único, apontando exemplos como a China e o Vietname para sustentar que o multipartidarismo não constitui, por si só, uma garantia de justiça social.

O autor de temas emblemáticos como Ojalá ou Playa Girón também procurou justificar os elevados investimentos realizados pelo Estado cubano na construção de hotéis destinados ao turismo internacional, uma opção cada vez mais contestada numa altura em que hospitais, infraestruturas e serviços básicos enfrentam profundas carências.