A Amazónia registou uma redução de 23,5% na área desmatada em 2025, em comparação com o ano anterior, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, elaborado pelo MapBiomas. Ao longo do ano, foram desmatados 289.478 hectares de vegetação nativa no bioma, o equivalente a cerca de 2.895 quilómetros quadrados. O resultado representa o menor valor do período analisado pelo levantamento, embora a destruição da floresta continue a ser uma preocupação ambiental.

Os dados fazem parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil de 2025 (RAD2025), divulgado pelo MapBiomas em maio de 2026. O documento reúne alertas de desmatamento identificados por diferentes sistemas de monitorização, posteriormente validados e analisados com recurso a imagens de alta resolução. O levantamento permite acompanhar a perda de vegetação nativa nos diferentes biomas brasileiros e comparar os resultados ao longo dos anos.

A redução registada na Amazónia integra uma diminuição mais ampla do desmatamento no Brasil. Em 2025, foram desmatados 984.794 hectares de vegetação nativa em todo o país, menos 20,6% do que em 2024. Foi a primeira vez, desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019, que a área anual desmatada ficou abaixo de um milhão de hectares.

Apesar da evolução positiva, os números mostram que a perda de vegetação nativa permanece significativa. Em média, o Brasil perdeu cerca de 2.698 hectares de vegetação por dia em 2025, o equivalente a aproximadamente 112 hectares por hora. Na Amazónia, a destruição correspondeu a uma média diária de cerca de 792 hectares.

CERRADO CONCENTRA A MAIOR ÁREA DESMATADA

Embora a Amazónia seja frequentemente o centro das atenções quando se fala de desmatamento no Brasil, foi o Cerrado que registou a maior área de vegetação nativa destruída em 2025. Segundo o MapBiomas, foram desmatados 540.614 hectares neste bioma, correspondentes a 54,9% do total nacional. A área representa uma redução de 16,9% em relação ao ano anterior.

Em conjunto, a Amazónia e o Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no Brasil em 2025. A Caatinga surgiu na terceira posição, com 128.947 hectares de vegetação nativa perdidos, equivalentes a cerca de 13% do total registado no país.

O relatório também identificou diferenças na distribuição dos alertas. A Amazónia concentrou 18.796 alertas de desmatamento validados, correspondentes a 40,7% dos eventos registados em todo o Brasil. No entanto, a área total desmatada foi inferior à identificada no Cerrado, onde os eventos de destruição atingiram, em conjunto, uma extensão superior.

AGROPECUÁRIA CONTINUA A SER A PRINCIPAL PRESSÃO

A expansão agropecuária permanece como um dos principais fatores associados à perda de vegetação nativa no Brasil. De acordo com o relatório, esta atividade esteve associada a 99% da perda de vegetação nativa registada no país em 2025.

A abertura de novas áreas para atividades económicas, incluindo a criação de gado e a produção agrícola, exerce pressão sobre diferentes ecossistemas. Na Amazónia, a transformação da floresta em áreas destinadas a outros usos do solo representa um desafio para a conservação da biodiversidade e para a manutenção dos serviços ambientais prestados pelo bioma.

O MapBiomas também identificou situações de desmatamento em áreas protegidas e territórios indígenas. Em 2025, foram desmatados 46.257 hectares em unidades de conservação, uma redução de 21,4% face a 2024. Nas terras indígenas, a área afetada chegou a 12.593 hectares, menos 22% do que no ano anterior.

Apesar das reduções, estes números mostram que a existência de mecanismos legais de proteção não elimina completamente a pressão sobre os territórios. A fiscalização, a monitorização por satélite e a responsabilização dos responsáveis pelo desmatamento continuam a ser instrumentos importantes para a conservação ambiental.

REDUÇÃO NÃO SIGNIFICA FIM DA DESTRUIÇÃO

A diminuição do desmatamento em 2025 representa um sinal positivo para a política ambiental brasileira. No entanto, os dados não significam que a floresta esteja fora de perigo. A continuidade desta tendência depende da manutenção das medidas de fiscalização, do combate à exploração ilegal dos recursos naturais e da proteção das áreas de vegetação nativa.

A Amazónia desempenha um papel fundamental na regulação do ciclo da água, na conservação de espécies e no equilíbrio climático. A floresta influencia os regimes de precipitação em diferentes regiões da América do Sul e armazena grandes quantidades de carbono, cuja libertação para a atmosfera contribui para o agravamento das alterações climáticas.

Por isso, a redução observada em 2025 é relevante, mas deve ser analisada em conjunto com a dimensão acumulada da perda florestal e com os dados dos anos seguintes. O desafio brasileiro passa agora por consolidar os resultados alcançados e impedir que a destruição da vegetação nativa volte a aumentar.