Os óculos inteligentes da Meta e da Ray-Ban foram proibidos nos tribunais de Inglaterra e do País de Gales devido aos riscos de gravações não autorizadas.

A decisão foi tomada pelo His Majesty’s Courts & Tribunals Service (HMCTS) e aplica-se a todos os tribunais destas regiões. Quem entrar num tribunal com estes óculos poderá vê-los confiscados à entrada e devolvidos apenas à saída.

A medida está relacionada com as regras que proíbem a captação de fotografias e vídeos dentro das salas de tribunal. Os Meta Ray-Ban, por permitirem gravar imagens de forma discreta através de câmaras integradas, levantam preocupações adicionais relacionadas com a privacidade e a segurança.

Um representante do HMCTS explicou que existem “restrições claras” à captação de imagens e vídeos dentro dos tribunais, justificando assim a proibição dos óculos inteligentes.

A regra não é totalmente nova no que diz respeito a dispositivos de gravação. Os telemóveis também estão sujeitos a restrições dentro dos tribunais, mas não são confiscados automaticamente à entrada. A intervenção acontece caso sejam utilizados para tentar gravar imagens ou vídeos.

A decisão surge numa altura em que os óculos inteligentes estão a gerar cada vez mais discussão devido à possibilidade de filmar outras pessoas sem que estas percebam. Os modelos da Meta e da Ray-Ban permitem fazer gravações através de uma câmara incorporada na armação, tornando a utilização particularmente difícil de detetar.

As preocupações não se limitam aos tribunais. Na Coreia do Sul, um homem foi recentemente acusado de utilizar óculos inteligentes equipados com Inteligência Artificial para tentar obter respostas durante um exame.

O caso aconteceu em maio, em Gwangju, durante uma prova para obter uma licença de engenheiro de proteção contra incêndios. O candidato foi descoberto depois de um fiscal reparar numa luz refletida nas lentes dos óculos.

O homem admitiu posteriormente que tinha desenvolvido uma aplicação de Inteligência Artificial para funcionar com os óculos e testar a capacidade de obter respostas durante um exame real.

Outros casos semelhantes foram entretanto identificados na Coreia do Sul, aumentando o debate sobre a utilização destes dispositivos para gravar pessoas sem consentimento ou obter informação de forma ilícita.

Com a chegada de cada vez mais modelos ao mercado, as autoridades enfrentam agora o desafio de adaptar as regras ao crescimento dos óculos inteligentes e às novas possibilidades oferecidas pela tecnologia.